Juro que sou normal. Que essa cara de psicopata adquiri com o tempo, com os sorrisos amarelos que a vida insistiu em me dar. Eu juro que sei amar. Só não me peça agora, porque posso transformar em desastre natural, tsunami, furacão. A minha mente já não organiza as memórias há um bom tempo. É como se todas ficassem soltas no meu lobo temporal, e eu a menina, embaixo a escolher as formas que mais se parecem. “Olha, aquela tem formato de lágrima. Aquela de sorriso e aquela de paixão.”
Desculpas não tira o susto. O pulo. As contrações impulsivas. O choro. A tristeza. A moleza. Desculpas não tira a primeira noite mal dormida. A segunda sofrida. E a terceira solitária. Desculpas não tira o sentimento despedaçado. O sorriso roubado. E o olhar entristecido. Desculpa não tira as palavras faladas. A falta notada. E os dias que fui esquecida. Desculpas não sara meu coração. Não tira a decepção. Nem muda minha razão. Mas eu desculpo. Desculpo porque sou gente. Desculpo porque de todo modo, quem cala consente. Desculpo, mas não te quero de volta.
— Você é forte!
— Você que pensa.
— E esse sorriso?
— Sorriso? Depois de tanto sofrer, de tanto ver as pessoas me substituindo como se substitui-sem um caderno velho, depois de ver amigos partindo sem ao menos darem um adeus, depois de chorar o fim de amor que parecia eterno, depois de ver o meu quarto escuro e não ter quem ligar para te ajudar a sair dali. O que acha que me sobrou? Sorrir foi a forma que encontrei para não morrer afogado em minhas lagrimas que hoje me destroem internamente.
Mas sabe, a vida tem dessas, esses altos e baixos, essas montanhas russas aparentemente intermináveis. Depois de um bom tempo presa nelas, pude perceber que isso tudo não é nada além daquilo que possamos aguentar. Deus não nos dá um fardo maior pelo qual não podemos suportar. Porque o passado de um vitorioso são as guerras, guerras ao qual eles venceram e sabe como? Enfrentando os obstáculos. Esse é o nosso futuro, vencer as guerras e nos tornar campeões, vencedores e vitoriosos.
Eu era mais romântica, sabe… Mas depois que um cara amassou meu coração, depois que eu remendei ele, bem depois, resolvi guardá-lo em uma caixinha ao qual é extremamente difícil abrir. Aquele que um dia for abri-la, terá que ser inteligente, e ter a paciência devida para resgatar meu coração novamente.
Vamos, princesa. E daí que caiu novamente? A vida tem dessas, buracos, tropeços, curvas que hoje fazem quem somos nós. Eu sei que doeu, sei que ainda tá sangrando, mas essa é a forma do mundo de te mostrar que não se deve confiar em todos, que apesar dos pesares, você é forte. Levanta essa cabeça, pequena, olhe para frente. Está vendo? Bem lá na frente, sabe aquele sorriso? Ele vai nascer, você é mais forte quanto imagina. Como uma Fênix, você vai ressurgir, impecável, imponente, graciosa, você é uma Fênix.
As pessoas quando brigam comigo, ou quando mexem comigo emocionalmente, deveriam querer resolver-se enquanto eu estou chateada, ou nervosa, com os nervos a flor da pele, porque significa que ainda me importo, mas quando me acalmo, quando meu nível de mansidão estabiliza, deveriam ter medo de mim, porque aí sim eu estou em um posto perigoso. Eu calma significa fria, eu fria significa sarcástica, eu sarcástica significa eu má, e não queira me ver má, não é saudável.